A relação entre as taxas de juro e os preços dos imóveis existe, mas está longe de ser automática. A evolução do mercado português entre 2024 e 2025 demonstra bem esta realidade.
Quando o Banco Central Europeu aumentou as taxas de juro entre 2022 e 2023, muitos analistas anteciparam uma forte desaceleração do mercado imobiliário português.
Embora o ritmo de crescimento tenha diminuído, o mercado manteve-se resiliente. Em Lisboa, os preços aumentaram 5,5% em 2024.
O mercado desacelerou sem entrar em correção, em parte porque a procura internacional continuou a sustentar a atividade e é menos dependente do crédito bancário português.
Com condições de financiamento mais favoráveis, o mercado voltou a ganhar dinamismo.
A prestação média dos créditos habitação diminuiu 9 € face a 2024, enquanto o volume total de crédito habitação aumentou 9,8% em termos anuais, atingindo os 110 mil milhões de euros.
Em setembro de 2025, 48% dos novos contratos de crédito incluíam a garantia do Estado destinada aos compradores de primeira habitação.
Taxas de juro mais baixas tornam o crédito mais acessível, mas não tornam necessariamente os imóveis mais baratos.
Pelo contrário, ao aumentar o número de compradores com capacidade financeira para entrar no mercado, podem contribuir para uma maior pressão sobre os preços.
Por esse motivo, adiar uma compra à espera de novas descidas das taxas pode não ser a estratégia mais eficaz se os preços dos imóveis continuarem a crescer a um ritmo superior ao benefício obtido no financiamento.
O aumento de 18,2% dos preços em Lisboa durante 2025 é um exemplo claro desta dinâmica.