Desde 2018 que têm surgido previsões sobre uma eventual estabilização do mercado imobiliário de Lisboa. No entanto, a maioria dessas previsões não se confirmou. Como interpretar a situação atual?
Em 2025, os preços em Lisboa aumentaram 18,2%, após uma subida de apenas 5,5% em 2024.
Esta aceleração surpreendeu muitos analistas. Pela primeira vez, o preço médio de transação ultrapassou a barreira simbólica dos 5.000 €/m², atingindo os 5.207 €/m² no final do ano.
Ao mesmo tempo, alguns mercados da Margem Sul registaram crescimentos ainda mais expressivos, incluindo Barreiro (+32,5%) e Moita (próximo dos 30%).
O desequilíbrio entre oferta e procura continua a ser um dos principais fatores de suporte dos preços.
Apesar do crescimento de 12% no pipeline residencial e do aumento de 62% nos novos pedidos de licenciamento em Lisboa, correspondentes a 4.250 habitações, a oferta continua insuficiente para responder à procura existente.
Os compradores estão cada vez mais dispostos a procurar oportunidades fora do centro da cidade.
Esta tendência está a impulsionar a valorização de zonas que, há poucos anos, recebiam muito menos atenção.
A ultrapassagem deste valor simbólico estabelece uma nova referência para avaliações imobiliárias e bancárias.
Consequentemente, torna-se mais difícil assistir a correções significativas nos preços.
Existem fatores que podem limitar o ritmo de crescimento.
Uma subida significativa das taxas de juro ou uma redução do acesso ao crédito habitação poderá afetar a procura. As rentabilidades do arrendamento também continuam a diminuir, situando-se nos 4,6% em Lisboa face aos 5,4% no Porto.
Além disso, a regulamentação do alojamento de curta duração continua a representar um fator de incerteza para alguns investidores.
O cenário mais provável continua a ser o de valorização sustentada, apoiada pela escassez de oferta e pela procura internacional persistente.
Para investidores com um horizonte de cinco a sete anos, Lisboa continua a apresentar fundamentos favoráveis para o investimento imobiliário.