A rentabilidade do arrendamento é um dos temas mais discutidos no mercado imobiliário português, mas também um dos mais frequentemente mal interpretados. Valores anunciados sem contexto nem sempre refletem o retorno efetivo para o investidor.
A rentabilidade bruta corresponde ao valor anual das rendas dividido pelo preço de aquisição do imóvel.
Em Lisboa, com rendas médias de 20 €/m² por mês e preços médios de 5.207 €/m², a rentabilidade bruta teórica situa-se em cerca de 4,6%.
No entanto, este indicador não considera os custos associados à exploração do imóvel.
Para calcular a rentabilidade líquida é necessário considerar diversos encargos.
Entre eles encontram-se a tributação sobre rendimentos prediais, as despesas de condomínio, o IMI, o seguro multirriscos habitação e eventuais custos de gestão do arrendamento.
Por exemplo, um apartamento T2 em Lisboa adquirido por 450.000 € e arrendado por 2.000 € por mês apresenta uma rentabilidade bruta próxima de 5,3%.
Depois de deduzidos os impostos e despesas operacionais, a rentabilidade líquida efetiva situa-se normalmente entre 2,8% e 3,2%.
Em Lisboa, a rentabilidade bruta média ronda os 4,6%, variando entre cerca de 3,8% para imóveis premium no centro da cidade e aproximadamente 5,5% para ativos intermédios bem localizados.
No Porto, a rentabilidade bruta média situa-se em torno dos 5,4%.
No Algarve, imóveis de qualidade destinados ao arrendamento de curta duração podem gerar receitas brutas equivalentes a 6% a 8% do valor de aquisição, embora a sazonalidade possa introduzir uma maior volatilidade.
Com rentabilidades líquidas frequentemente entre 2,5% e 3,5% em muitos imóveis de Lisboa, o rendimento proveniente das rendas deixou de ser o único fator determinante para os investidores.
A atratividade do investimento resulta cada vez mais da combinação entre rendimento e valorização futura do ativo. Um imóvel que se valoriza ao longo do tempo e gera receitas regulares pode proporcionar uma performance global mais robusta.
Em 2026, o investimento imobiliário em Portugal tende a justificar-se pela combinação entre rendimento e valorização patrimonial.
Para investidores cujo principal objetivo seja obter uma rentabilidade imediata mais elevada, mercados como Porto, Braga ou outras cidades secundárias poderão oferecer alternativas mais adequadas do que Lisboa.