O pipeline residencial em Portugal conta atualmente com 73.200 habitações em desenvolvimento, representando um aumento de 12% face a 2024. Só em Lisboa, os novos pedidos de licenciamento cresceram 62%.
Embora este aumento da oferta seja significativo, o seu impacto será limitado no curto prazo. Estas novas habitações deverão demorar entre dois e quatro anos a chegar ao mercado. Até lá, a pressão sobre os preços deverá manter-se.
Os Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA), aprovados em janeiro de 2026, abrem caminho para um modelo institucional de build-to-rent com duração de 25 anos.
Caso o enquadramento regulamentar continue a estabilizar, esta evolução poderá criar uma nova classe de ativos residenciais e contribuir gradualmente para um maior equilíbrio da oferta de arrendamento.
A propagação do crescimento dos preços do centro de Lisboa para as zonas periféricas deverá continuar nos próximos anos.
As áreas com boa conectividade e preços ainda inferiores a 3.000 €/m² são as que mais poderão beneficiar desta tendência, nomeadamente a Margem Sul, o corredor de Sintra e o eixo de Setúbal.
Portugal continua a atrair um público internacional diversificado, especialmente proveniente de França, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.
Os principais fatores de atratividade mantêm-se inalterados: qualidade de vida, segurança e fiscalidade. Estes elementos continuam a sustentar a procura estrangeira, tanto para residência como para investimento imobiliário.
Com os preços dos imóveis a crescerem mais rapidamente do que as rendas, as estratégias tradicionais de investimento para arrendamento tornam-se cada vez mais complexas.
Neste contexto, a lógica de investimento está a mudar. Em vez de procurar rentabilidades líquidas elevadas desde o primeiro ano, os investidores procuram cada vez mais ativos com potencial de valorização a longo prazo, compensando parte dos custos através das receitas de arrendamento.
Esta evolução está naturalmente a alterar o perfil dos investidores mais adequados a este mercado.